Como medir a cintura em casa e qual corte da IDF vale para o homem sul-americano, 90 cm em vez de 94
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A Federação Internacional de Diabetes (IDF) define 94 cm de cintura como o corte de risco para homens europeus. A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) reproduz essa tabela nas Diretrizes Brasileiras de Obesidade de 2016.
O número 94 virou a referência que aparece primeiro na busca, mas a mesma tabela da IDF separa os cortes por etnia e traz uma linha que muda a conta para quem tem origem sul-americana.
Segundo a Tabela 5 das diretrizes da Abeso, para sul-americanos e centro-americanos a IDF orienta usar as referências dos sul-asiáticos: 90 cm para homens e 80 cm para mulheres.
Ou seja, pela tabela da IDF, que separa os cortes por etnia e não pelo país onde a pessoa mora, um homem de origem sul-americana com 92 cm está abaixo do corte europeu e acima do corte sul-americano.
Onde a fita passa e quando medir
A medida certa depende de dois detalhes que mudam o número em casa: o ponto do corpo onde a fita passa e o momento da respiração em que ela é lida.
De acordo com as diretrizes da Abeso de 2016, a medida é feita com a pessoa deitada de barriga para cima, ao final da expiração, depois de uma inspiração profunda.
O ponto do corpo tem duas versões publicadas.
A Organização Mundial da Saúde, segundo o mesmo documento, recomenda o maior perímetro abdominal entre a última costela e a crista ilíaca, que é o osso do quadril que se sente com a mão na lateral do corpo.
A I Diretriz Brasileira de Diagnóstico e Tratamento da Síndrome Metabólica recomenda o ponto médio entre a última costela e a crista ilíaca.
Para acompanhar a própria evolução em casa, o que importa é repetir o mesmo ponto, no mesmo horário, todas as vezes.
O umbigo, que é fácil de achar no espelho, não aparece como ponto de medida em nenhuma das duas recomendações citadas pela Abeso.
Quem já mediu e quer entender o número dentro da história clínica pode ver como funciona a avaliação na Natuá.
Três cortes para três perguntas diferentes
Os cortes não são diagnóstico de doença, e cada um nasceu de uma pergunta diferente.
O corte de 94 cm para homens e 80 cm para mulheres europeus, de acordo com a IDF, marca risco cardiovascular aumentado e entra como critério obrigatório no diagnóstico de síndrome metabólica, junto com pelo menos 2 de 4 alterações: triglicérides, HDL, pressão arterial e glicemia de jejum.
O National Cholesterol Education Program dos Estados Unidos, no documento conhecido como ATP III, usa 102 cm para homens e 88 cm para mulheres, conforme registra a mesma diretriz da Abeso.
Na prática, um homem com 98 cm passa do corte da IDF e fica abaixo do corte do ATP III, e as duas leituras estão corretas dentro do critério de cada uma.
Para o homem sul-americano, a linha de 90 cm da IDF antecipa o alerta em 4 cm em relação aos 94 cm europeus, e para a mulher o corte segue em 80 cm.
A razão está escrita na diretriz: a relação entre cintura e gordura corporal muda com a idade e com o grupo étnico, e, para o mesmo nível de risco, os cortes de asiáticos e indianos são menores.
A régua da metade da altura
A Abeso dá, na recomendação 1F das diretrizes de 2016, uma regra que dispensa escolher entre IDF e ATP III: a cintura deve ser menor que a metade da altura.
A recomendação tem grau A, o nível mais forte da diretriz, e se apoia em uma metanálise de 24 estudos transversais e 10 prospectivos, com 512.809 participantes.
A conta é feita com a fita e uma calculadora de celular.
Um homem de 1,76 m tem metade da altura em 88 cm, então a cintura dele deveria ficar abaixo de 88 cm, uma linha mais apertada que os 90 cm da IDF e os 94 cm europeus.
Uma mulher de 1,60 m tem metade da altura em 80 cm, que coincide com o corte da IDF para mulheres.
Uma mulher de 1,68 m tem metade da altura em 84 cm, e com 82 cm de cintura ela passa do corte da IDF e fica dentro da régua da altura.
O valor normal da relação cintura dividida pela altura, segundo a Abeso, é menor que 0,5, e quanto mais o número passa disso, maior o risco de doença cardiovascular, diabetes tipo 2 e mortalidade por todas as causas.
A diretriz faz uma ressalva que muda a leitura para famílias: a régua da altura foi confirmada em adultos e não em crianças e adolescentes.
O que a diretriz de 2026 mudou
A Diretriz Brasileira de Tratamento Farmacológico da Obesidade, da Abeso, edição de 2026, levou a cintura para dentro da decisão de tratar.
Segundo a reportagem do Portal Afya publicada em 13 de dezembro de 2025, o tratamento passa a ser considerado também quando há "aumento de circunferência abdominal e/ou da relação cintura/altura associado a complicações relacionadas à adiposidade".
O critério antigo continua valendo ao lado do novo, conforme a mesma reportagem: IMC a partir de 30, ou a partir de 27 quando há complicações.
Na prática, uma pessoa com IMC de 26 e cintura acima da metade da altura, com pressão alta ou glicemia alterada, deixou de ficar fora da conversa sobre tratamento só por causa da balança.
A diretriz de 2016 já dizia o mesmo de outra forma: pessoas com IMC normal e aumento da circunferência abdominal são consideradas obesas viscerais e devem ser tratadas na presença de comorbidades.
A cintura dentro da consulta
Na Natuá MedSpa, na Avenida Paraná, 286, no Cabral, em Curitiba, a avaliação conduzida pelo Dr. Luciano Alves Neves, CRM/PR 45049, começa por entender o corpo de cada pessoa antes de propor qualquer conduta, e a cintura medida em casa entra nessa conversa como um dado a mais, ao lado da história clínica e dos exames.
Os valores da consulta estão publicados na página da clínica, de R$ 650 a R$ 1.200, e quem mediu a cintura hoje pode levar o número para a primeira avaliação.